Ter uma postura correta parece impossível só de pensar, mas a postura não e algo para pensar e sim para sentir fisicamente .
O corpo é o elemento pelo qual a energia mental e emocional se concretizam, se materializam. Quando falamos de postura correta, nos vem a mente o momento em que nos colocamos para começar a dançar, e dizemos: ombros baixos, cabeça alta, quadril encaixado,etc., mas logo que começa a música a postura cai para uma pose mais simples.
A postura deve ser sentida, incorporada e arraigada desde dentro, portanto, proponho uma conscientização global, positiva e dinâmica que permita sustentar uma boa organização corporal e fluidez durante sua execução e não só a nível estático, morta na dimensão espacial, inibindo a expressão de forma plena.
Trabalhar a unidade corporal e não sua fragmentação.
O corpo tem um desenho projetado para ganhar energia e renova-la sempre que entendamos como fazer isso. Se observarmos o perfil de uma coluna, vemos que as 24 vertebras formam um s largo. Para manter sua correta colocação e ventilação intervertebral, devemos trabalhar a musculatura que se compõe estrategicamente para inverter as forças dessas curvas e assim manter a verticalidade. Seria interessante também conectar a musculatura com o sinônimo de força interior e sentimento em conjunto com o sistema ósseo.
No ocidente estamos acostumados a trabalhar a ginástica de forma mecânica ou em blocos, escutamos: flexionar joelhos, elevar a perna, esticar o braço, por exemplo, em vez de fazer uma contração voluntária que desperte uma conexão física-mental com o músculo específico. Para fazer um abdominal, usamos um complexo processo de deitar e elevar o tronco, as vezes sobrecarregando a cervical e a lombar. O abdome trabalha a nível inconsciente, sendo ajudado por outras partes do corpo, mas acaba não responsável por seu próprio movimento.
Ao falar em conscientização global e holística, digo que em vez de copiarmos formas, seria mais interessante perguntar como se sente uma contração, como se vê isso que se sente, e ao se notar distante do objetivo, ver quais são seus obstáculos. Descobrir como trabalham os músculos, articulações e zonas protagonistas e como atuam os secundários que se põe a serviço dela. Nossa musculatura está harmonicamente preparada para para equilibrar as curvas vertebrais sustentando verticalmente e em equilibrio nosso corpo.
Quando nossa musculatura não trabalha bem para aquilo que foi desenhada, surgem as dificuldes posturais. Nosso pescoço é a ponte entre a cabeça, lugar das idéias e corpo lugar de manifestação dessas idéias. Se não cremos nessas idéias,ou não as valorizamos, é provável que a musculatura que rodeia as cervicais não trabalhe corretamente, fazendo a cabeça pender para frente e encurtando o pescoço. Os pensamentos e idéias param nos ombros, são bloqueados pelo próprio corpo e não atuamos mais fisicamente de forma conveniente.
Se os músculos dorsais não sustentam bem sua zona, abrem caminho para uma cifose e se as lombares se arqueiam demasiadamente temos a lordose. Para evitar esses bloqueios de energia e sua visível deformação, deveríamos trabalhar corporalmente de forma ininterrupta.
Basicamente, devemos entender que a energia física descende pelas costas e ascende pela frente do corpo. Para transmitir esse conceito é bom recorrer a classificação do corpo a que estamos acostumados, mas agregando uma ordem que permita a maior fluidez corporal possível e nos ajude a detectar falhas de energia e trabalha-las.
Para começar a visualizar e internalizar o movimento começamos pelos ombros, imaginemos uma rotação que começa na frente, subindo até as orelhas, descendo por trás: ali devem ficar os ombros, como parte das costas, apesar de também serem visíveis pela frente. E assim começamos trabalhar a rotação frente- cima- trás- baixo.
Seguindo o curso da energia que desce pelas costas, encontramos com os músculos dorsais que atuam como âncora dos ombros.
São as raízes dos braços, com eles podemos agir e sustentar, não a toa que quando sentimos uma “grande carga” tanto física quanto emocional, nossos dorsais se expandem e permitem que a curvatura natural se acentue demasiadamente.
A energia continua descendente até a cintura, tratando de projetar e estirar a curvatura natural dessa zona para baixo, a fim de enviar sua força para o cóccix, que deve estar vertical em relação ao solo. Ao suavizar cintura e trabalhar o cóccix, essa energia atua ascendentemente para a pélvis, até chegar ao ponto fundamental, o ventre, centro de energia. Ao pressionar a porção de músculos abdominais baixos sobre esse local, ativamos essa zona de energia, equilibrando-nos e centrando-nos.
Esta é uma zona do corpo onde a gordura se acumula primeiro, refletindo nosso descaso com esse centro. Devemos voltar a ter plena consciência de sua importância e significado.
Uma vez ativado esse centro de energia, a tensão deve subir para os outros músculos abdominais superiores, provocando a elevação do peito, que leva a energia até os ombros, que rodam para trás e nos acordam para as costas novamente, como um circuito. Sua síntese é circular e contínua, na qual compreendemos que assim a postura é um elemento dinâmico e não uma simples pose.
Baseado notexto do site do Amir Thaleb.